Arquivo de 27 junho, 2009

27
jun
09

Quando o ecológico vira fashion…

Esse blog não é só pedreira em cima do poder público… Também damos nossas patadas em cima do mundo “off-Brasilia”…

Recentemente, um filme francês, Home ( ok… Francês odeia inglês, como é que o nome é inglês ??? ), estreou nos cinemas com toda a pompa e circustância. O interessante é que além da divulgação em sites ligados ao meio ambiente e cinema, o filme foi citado de maneira bem favorável na midia fashion… E até onde sabemos, fashion que é fashion só se preocupa com bichinhos e plantinhas se isso sair na coluna social… Sem falar que várias grifes usam e abusam de mão de obra escrava, detonam recursos naturais, e por aí vai…

Ok… Vamos ao ponto…

Na abertura do filme, os “patrocinadores” vão surgindo na tela, e formam a palavra “HOME” ( que se refere ao planeta Terra ) . Vemos marcas que eventualmente surgem nos jornais como envolvidas nos probleminhas citados acima. Naaa boaaa, se isso não é uma mistura de “propaganda subliminar” com “limpeza da imagem”, eu juro que não sei…

Para quem quiser conferir a “cara de pau”, segue o link do filme na internet :

http://www.youtube.com/homeproject

27
jun
09

Ganha 20.000 no Senado, e pensa em sair. O que é trabalhar no meio de bandidos…

Para quem ainda tem a ilusão que só político e janelado que apronta…

Depoimento de um funcionário público, concursado, que ganha muito bem obrigado, mas está pensando seriamente em cair fora do Senado, pois não aguenta mais tanta falcatrua…

Galera que estuda para concurso, não caiam na tentação da corrupção… Sabemos que vai ser duro, mas sejam firmes. Políticos, janelados, efetivos pré-1988 e outros que já “foram para o lado negro da Força” vão tentar até vocês pedirem arrego, mas resistam !!!

http://congressoemfoco.ig.com.br/noticia.asp?cod_canal=1&cod_publicacao=28752

Sábado, 27 de Junho de 2009

27/06/2009 – 07h15

Revistas: chefe da consultoria legislativa diz ter vergonha do Senado

Veja

“O Senado me envergonha”

Alexandre Guimarães, 38 anos, é funcionário concursado do Senado desde 2004. Chefe da consultoria legislativa, recebe mais de 20 000 reais por mês, entre salário e vários benefícios. Mesmo bem remunerado, pensa em deixar o emprego. Ele conta que não convive direito com os truques armados pelos parlamentares e funcionários da Casa.

Como você chegou ao Senado?

Prestei concurso em 2002 e entrei dois anos depois de uma maneira estranha, no que ficou conhecido como “o concurso dos 40 do Pedro Costa” (Pedro Pereira da Silva Costa é filho de um jornalista maranhense e trabalha com Sarney desde a Presidência da República). Eu fui o 19º colocado num concurso para preencher apenas três vagas. De repente, chamaram quarenta. Tudo isso, soube depois, apenas para que um amigo do presidente Sarney conseguisse um emprego no Senado.

Havia necessidade de contratar tanta gente nesse concurso?

No começo, não tinha nem mesa para trabalhar. Era constrangedor. Eu ia lá todo dia, assinava o ponto, ficava enrolando um pouco e voltava para casa sem fazer nada.

O senhor já foi beneficiado por algum desses esquemas que vêm sendo denunciados?

Eu consegui autorização do Senado para ultrapassar o limite legal de endividamento pelo crédito consignado. Antes de passar no concurso, também trabalhei com o senador Gilvam Borges (PMDB), no Amapá, até descobrir que meu salário era pago pelo Senado, embora trabalhasse em uma rádio do senador. Quando soube, saí de lá.

Os concursos do Senado são disputados por milhares de pessoas…

Não vou negar que ganho bem, mas isso também acaba sendo constrangedor. Para começo de conversa, são três ou quatro contracheques por mês. O meu vencimento básico é 6.411 reais. Mas há as horas extras, gratificações, comissões e outros penduricalhos. Somando tudo, dá um total de mais de 23.000 reais. Em alguns meses, o salário bruto ultrapassa o teto do funcionalismo público. (Alexandre recebeu neste mês 32.364,62 reais, incluindo a primeira parcela do 13º salário.) É um jeito que encontraram de pagar mais aos servidores, mas de maneira torta. Vim da iniciativa privada e nunca me acostumei com isso.

Você tem orgulho de ser funcionário do Senado?

Atualmente tenho vergonha. Tirei férias no início do mês e fui visitar uns parentes. Foi duro chegar para a família e tentar explicar a todo mundo que eu sou diferente dessa imagem do Senado.

( hummm… Talvez o cidadão acima esteja querendo fazer uma mea culpa, passar fama de bonzinho, sei lá… mas  o depoimento não deixa de ser interessante )

Quem quiser ler a integra da reportagem, basta clicar no link abaixo ( eu sei, eu sei, é da Veja, mas… )

http://veja.abril.com.br/010709/p_078.shtml

27
jun
09

A relação entre corrupção, terceirização, nepotismo, PEC54/99, trem da alegria, etc…

Quem acompanhou o blog “Mega Trem da Alegria” sabe que sempre defendíamos a idéia que a questão dos concursados aprovados que não são convocados, assim com a defesa da PEC 54/99 por parte dos políticos e “janelados” , sempre foi, acima de tudo, frutos da cultura típica da administração pública, onde os ocupantes de cargos ( sejam políticos ou funcionários ) se apropriam do bens do estado como se fossem “coisa privada”. Ou seja, a velha história : dinheiro público não tem dono…

O povo, que tem que assumir o papel de patrão dos políticos e funcionários públicos, são apenas os “eleitores” ou “contribuintes”. E ai de você se falar que quem pagar o salário deles é o povo… Corre o risco de ser preso por desacato !

Até 1988, não havia necessidade de concurso público. Era a verdadeira farra do boi, só virava funcionário público quem conhecesse alguém influente. Ou quem tivesse a sorte de passar – e ser chamado – em alguns dos raríssimos concursos ( que não chegavam a ser exatamente públicos, pois a divulgação não era feita… Só sabia quem tinha amigo ou parente no órgão ou estatal que estava fazendo a seleção. Fraudes eram mais do que comuns, pois não havia a preocupação em se fazer uma fiscalização eficiente ) .

Mesmo com a obrigatoriedade do concurso,  a partir de 1988, os nossos criativos funcionários e políticos passaram a usar outras formas de burlar a Constituição, como a terceirização, contratos de assessoria, prestação de serviço, cargos comissionados, etc…

O resultado está aí, nas páginas de jornais : corrupção no Senado, SEMPRE envolvendo contratações irregulares, concurso públicos cada vez mais escassos, e, quando são realizados, os aprovados não são convocados da maneira correta.

Basta visitar qualquer estatal ou órgão público importante para verificar a grande quantidade de funcionários com o mesmo sobrenome familiar . Recentemente, “fuçando” a comunidade de funcionários da Petrobras, damos de cara com uma mensagem de um participante dizendo que a família dele está na empresa desde 1974… Certamente, não foi por concurso… (http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=48892&tid=5291179733335410720&kw=1974&na=2&nst=87 )

Se você quer comprovar com seus próprios olhos e ouvidos o que estamos falando, converse com parentes ou amigos mais velhos que são funcionários públicos. Pergunte se eles fizeram concurso, e se fizeram, se teve divulgação ou se foi “propaganda boca a boca”. Vocês irão se surpreender com as respostas. Pior, a rejeição ao concurso será quase unanimidade entre as respostas…

( já cansei de ouvir até história de gente que conseguiu emprego público mandando carta para presidente da república… séeeeriooooo ! O detalhe interessante é que muitas vezes o agraciado sequer tinha o primário completo, a carta em questão teve quer ser escrita por um parente ou amigo. Hoje, muitos destes são aposentados com pensões de dar inveja a muito bacharel de nível superior aposentado pelo INSS… )

Em outros locais, a história se repete, Furnas, Cedae, Eletronorte, Detrans, etc… As Capitanias Hereditárias continuam valendo na administração pública…

O que é mais sério nessa história toda é que as políticas de gestão dos órgãos e estatais são regidas por funcionários que tem justamente a cultura do nepotismo e clientelismo. São esses “seres” que decidem como e quando vão contratar novos funcionários, e a tendência é sempre fazer pelo “lado torto”, ou seja, pela janela. Pois foram assim que foram contratados, é assim que eles tem que fazer, pois querem permanecer nas posições privilegiadas que ocupam. Não são incomuns as histórias de funcionários que tentaram fazer “ a coisa certa” ( ou seja, desrespeitaram decisões superiores e que batiam de frente com a legislação ) e foram afastados ou demitidos.

A mudança só acontecerá de duas formas : na pressão ou ao longo do tempo. Podemos simplesmente esperar que esse “povo” se aposente, o que pode levar ainda algumas dezenas de anos. Até aí, o país pode cair em uma séria crise institucional… Ou ir a falência !

A outra, é na pressão, seja através da imprensa ( desde que descomprometida com a corrupção. ) , de processos, de manifestações públicas, atos, etc. O que não podemos é achar que podemos simplesmente postar uma mensagem em algum site de notícias e achar que só aquilo basta para mostrar indignação. Só isso não basta…

No passado, partidos, sindicatos e até a grande mídia incitavam a população a comparecer as ruas. Não esperem que isso aconteça nos dias de hoje, pois todos estão comprometidos com o lamaçal que tomou conta do Brasil. A internet, apesar das limitações econômicas, tem se mostrado um bom meio de mobilização ( não é a toa que políticos e mídia tradicional tem ficado de orelhas em pé com a internet ).

Para quem quiser mergulhar de cabeça para entender a cultura que permeia a administração pública, desde o tempo de Cabral até os dias de hoje, recomendamos a leitura da tese que está no link a seguir : http://www.clad.org.ve/fulltext/0052003.pdf

É um estudo bem interessante de como a “filosofia” de Gerson é “coisa antiga”, é difícil de combater, mas não impossível. E aponta soluções para que possamos combater esse mal.

Boa leitura para todos.




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